Compostagem doméstica
faz compostagem em casa
Compostar é fechar o ciclo
Bons motivos para fazer compostagem doméstica
A compostagem permite-nos transformar os nossos resíduos orgânicos num composto rico que vamos devolver à terra, nutrindo os solos e as plantas da nossa horta, para que, no final, as possamos comer.
Através da compostagem, contribuímos para a preservação do nosso planeta.
Benefícios da compostagem doméstica
Fazermos a compostagem doméstica dos nossos bioresíduos tem inúmeros benefícios para o ambiente, sendo um dos pilares para uma vida com menos desperdício.

Separação dos bioresíduos na fonte
Os resíduos que colocamos no lixo indiferenciado são recolhidos e encaminhados para estações de tratamento e valorização, nas quais se tentam separar os resíduos orgânicos dos não orgânicos. Este processo não é 100% eficiente e gera um elevado consumo energético.
Através da compostagem doméstica evitamos os custos associados a este processo e o gasto de recursos desnecessário e temos a certeza de que não há contaminação do nosso composto.
Valorização dos resíduos orgânicos
Os resíduos são transformados em composto, um excelente fertilizante natural, que podemos utilizar para nutrir o solo e as nossas plantas, evitando adubos industrializados.
Menos lixo em aterros
Os resíduos orgânicos representam cerca de 1/3 do lixo que geramos.
Ao compostares os teus resíduos orgânicos estás a desviá-los dos aterros sanitários, onde iriam contribuir para a contaminação dos solos e da atmosfera.
Evitas o transporte de resíduos de um lado para o outro, reduzindo ainda as emissões de GEE.
Menos emissões de GEE
Nos aterros, os resíduos são enterrados e acabam por se decompor por um processo anaeróbio (sem contacto com o ar), produzindo gás metano, um gás com efeito de estufa (GEE) ainda mais nocivo que o dióxido de carbono – para efeitos do impacto sobre o aquecimento global, 1 tonelada de metano equivale 28 toneladas de dióxido de carbono.
Regeneração dos solos
Ao oferecermos o nosso fertilizante orgânico natural aos solos estamos a contribuir para a sua regeneração e para o futuro da agricultura e da nossa alimentação.
Sequestrar CO2 da atmosfera
Ao integrares o teu composto no solo estás a contribuir para a captura de CO2 da atmosfera, ajudando a combater as alterações climáticas.
Como começar a fazer compostagem doméstica?
Conhece os teus resíduos
Existem diversos métodos para fazer compostagem doméstica e existem resíduos que podem ser compostados por um método e não por outro.
O primeiro passo para te iniciares na compostagem doméstica é conheceres os teus resíduos, o espaço que tens disponível e, com base nas conclusões a que chegues, seleccionar o método mais adequado às tuas necessidades.
Através da resposta a algumas perguntas, conseguirás perceber mais facilmente qual o melhor método de compostagem doméstica para ti.

Separar os teus resíduos orgânicos e perceber em que consistem, na sua maioria:
Resíduos de origem vegetal?
Resíduos de origem animal?
Resíduos cozinhados?
Resíduos de jardim?

Analisa quanto espaço tens disponível:
Vives num apartamento?
Tens uma varanda, terraço ou quintal?
Tens muito ou pouco espaço disponível?
Há hortas comunitárias perto de ti?
Métodos de compostagem doméstica
Que método de compostagem escolher?
Existem diversos métodos para fazer compostagem.
Cada um tem as suas particularidades e os seus próprios benefícios. É importante conhecê-los para escolher qual o que melhor se adequa às nossas próprias necessidades.
Se o espaço não for um problema para ti, também podes optar por fazer a compostagem através de diversos métodos que se complementem.
É o que fazemos na nossa casa para conseguirmos compostar todo o tipo de resíduos de alimentos e do nosso quintal!
Compostagem termofílica ou de jardim
Este é o método de compostagem mais conhecido e mais utilizado nosso país.
É muito simples de implementar mas existem alguns truques para que funcione na perfeição!

Vantagens:
Fácil de implementar e manter num quintal ou jardim
Podes comprar ou fazer o teu próprio compostor
Pode ser feita em pequena, média ou grande escala
Aceita diversos tipos de bioresíduos
Agrícola, urbano e industrial.
Desvantagens:
Requer mais espaço
Demora mais tempo
Não é recomendada para resíduos animais
Especificações:
O que podes compostar:
Resíduos verdes de jardim como ramos e folhas, restos de frutas e vegetais crus, borras de café, cinzas, algas, cascas de amendoim, castanhas ou nozes, cascas de ovos limpas, Bokashi fermentado, resíduos castanhos como folhas secas, palha, serradura, relva seca cortada, pedaços de papel ou cartão (sem tintas e não branqueados).
O que não podes compostar:
Pão, lacticínios, sobras de alimentos cozinhados, carne ou ossos, fezes, madeira pintada ou tratada, troncos ou galhos grandes, resíduos não biodegradáveis.
Dicas para o sucesso:
- 1 parte de resíduos de cozinha/húmidos
- 2 partes de resíduos castanhos/secos
- Cobrir bem os resíduos húmidos com matéria seca
- Compostor em contacto com o solo
- Arejar regularmente (1x semana)
- Controlar a humidade (60% a 70% – composto húmido ao toque)
- Controlar a temperatura (60º a 70ºC)
Problemas frequentes:
O meu composto não está a atingir temperaturas elevadas!
- Areja mais vezes
- Humidade em excesso ou em falta
- Protege da chuva em excesso
- Coloca os resíduos em pedaços mais pequenos
- Adiciona aceleradores de compostagem: estes introduzem microorganismos importantes e/ou grandes quantidades de nitrogénio (azoto) para impulsionar a actividade microbiana. Alguns exemplos: aceleradores de compostagem vendidos em lojas de jardinagem; estrume animal; fermentos Takakura (doce + salgado) que podes preparar em casa; Bokashi fermentado e/ou humedecer com chá de Bokashi.
O meu composto está a cheirar mal!
- Areja mais vezes
- Adiciona mais matéria seca (resíduos castanhos)
- Protege da chuva em excesso
- Coloca os resíduos em pedaços mais pequenos
- Não coloques resíduos apodrecidos
Vermicompostagem
Neste método, as minhocas actuam como principais agentes decompositores da matéria orgânica, consumindo os teus resíduos e transformado-os num composto de elevada qualidade.
Normalmente são utilizadas minhocas californianas pois estas gostam de estar na superfície e de ambientes com muita matéria orgânica, consumindo cerca de metade do seu peso diariamente.

Vantagens:
Pode ser feita no jardim ou dentro de casa
Não é necessário muito espaço
Não emana maus odores
Mais rápida do que a compostagem termofílica
Muito simples de implementar e manter
Produz um fertilizante natural de alta qualidade (húmus de minhoca)
Podes comprar ou fazer o teu próprio compostor com caixas de plástico empilhadas
Produz biofertilizante líquido de grande qualidade
Desvantagens:
Não adequada para todo o tipo de resíduos orgânicos
Não devem ser colocados resíduos todos os dias
Sensível às condições climatéricas e à temperatura
Especificações:
O que podes compostar:
Resíduos verdes de jardim como relva ou folhas, restos de frutas e vegetais crus, borras de café, cascas de amendoim, castanhas ou nozes, cascas de ovos limpas, Bokashi fermentado, resíduos castanhos como folhas secas, palha, serradura, relva seca cortada, pedaços de papel ou cartão (sem tintas e não branqueados).
O que podes compostar com moderação (até 20%):
Citrinos, ananás e outras frutas ácidas, alimentos cozidos, guardanapos, papel de cozinha e papel de jornal. [1]
O que não podes compostar:
Resíduos com odor forte como cascas de alho ou de cebola e ervas aromáticas, lacticínios, carne ou ossos, fezes, resíduos apodrecidos, ramos, troncos ou galhos, resíduos não biodegradáveis.
Dicas para o sucesso:
- 1 parte de resíduos de cozinha/húmidos
- 1 parte de resíduos castanhos/secos
- Controlar a humidade (80% a 85% – sente-se a humidade na mão ao apertar, sem escorrer água)
- Controlar a temperatura (20º a 25ºC)
- Mínimo de luminosidade possível
- Evitar resíduos ácidos ou com um odor forte
- Proteger do sol, do frio e da chuva
Problemas frequentes:
O meu composto está a cheirar mal!
- Adiciona mais matéria seca (resíduos castanhos)
- Não coloques resíduos apodrecidos
- Coloca os resíduos em pedaços mais pequenos
- Tenta perceber se existe falta de oxigenação
Tenho mosquinhas no compostor!
- Guarda os resíduos orgânicos num recipiente bem fechado até colocares no compostor
- Se estiver calor, guarda os resíduos no frigorífico para evitar que apodreçam
- Ao colocares os resíduos no compostor, cobre com matéria seca (serradura, folhas secas, cartão…)
As minhas minhocas estão a fugir!
- Colocaste resíduos que as minhocas não toleram em quantidades excessivas (ver “O que podes compostar com moderação “)?
- Verifica a humidade, se estiver muito seco coloca mais resíduos húmidos e menos resíduos secos
- Muda o vermicompostor de local
Bokashi
Este método ocorre em 2 etapas.
A primeira etapa é a fermentação anaeróbia com microorganismos eficientes, recorrendo ao uso do farelo Bokashi. Esta ocupa muito pouco espaço e podes fazê-la na tua cozinha.
A segunda etapa é a decomposição na presença de oxigénio. Nesta misturas os resíduos fermentados com a terra. Em alternativa, podes colocá-los no compostor termofílico ou até no vermicompostor.

Vantagens:
Mais compacta, ideal para espaços reduzidos e apartamentos
O composto forma-se rapidamente
Sem odores e à prova de pragas
Adequada para quase todo o tipo de bioresíduos
Não necessita de matéria seca
Reduz o volume dos bioresíduos em 25%
Produz biofertilizante líquido que nutre as plantas e o solo
Composto com acção probiótica no solo
Desvantagens:
É necessário comprar ou fazer o farelo Bokashi
Necessita de uma segunda etapa para decomposição
Especificações:
O que podes compostar:
Restos de frutas e vegetais crus ou cozinhados, com ou sem tempero, ervas aromáticas, borras de café, pão, lacticínios, cascas de ovos, restos de alimentos cozinhados (incluindo carne, arroz, massa, etc.), saquetas de chá (sem plástico), borras de café. [1]
O que não podes compostar:
Resíduos líquidos, fezes, ossos médios ou grandes, conchas, resíduos não biodegradáveis. [1]
Dicas para o sucesso:
1ª etapa:
- 1 colher de sopa de farelo Bokashi para uma camada de resíduos de 4cm de altura
- Cortar os resíduos em pedaços pequenos
- Compactar bem os resíduos
- Drenar o biofertilizante líquido regularmente (2 a 3 x por semana)
- Mínimo 2 semanas de fermentação
2ª etapa:
- Misturar terra com os resíduos fermentados na proporção de 2:1
- Cobrir a mistura com terra
- Mínimo 2 semanas para poder utilizar a terra
Problemas frequentes:
Tenho fungos pretos ou verdes no compostor!
- Pode haver uma entrada de oxigénio no compostor.
- Podes ter deixado a torneira mal encaixada ou a tampa aberta.
- Verifica se estás a adicionar farelo suficiente.
- O farelo deve ser armazenado ao abrigo da humidade.
- Quando estes fungos surgirem em quantidade substâncial, deves deitar fora ou enterrar os resíduos de imediato, recomeçando o processo.

Compostar por uma economia mais circular
Compostar é assumir a responsabilidade pelos nossos resíduos orgânicos, contribuindo para um planeta mais saudável.
É o fechar do ciclo que nos permite nutrir os solos e produzir alimentos de qualidade.
Pode ser feita por qualquer pessoa e em qualquer lugar e não requer um grande investimento.
Queres melhores motivos para começares já a compostar? 🙂
Neste artigo encontras mais informações sobre como fazer compostagem e um passo a passo para fazeres o teu próprio compostor de jardim!
Fazes compostagem em casa? Qual o teu método de eleição?
Tens dúvidas sobre algum destes métodos? Partilha a tua experiência ou as tuas dúvidas, tira fotos e publica nas redes sociais com a hashtag #EcoDesafio2022 para inspirar outras pessoas!














































































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