O nosso impacto no planeta
O nosso planeta tem recursos finitos.
Apesar de ter capacidade de renovação dos seus recursos, esta tem um ritmo bastante mais lento do que o ritmo do nosso consumo actual. Isto significa que estamos a consumir a um ritmo muito mais elevado do que aquele a que o nosso planeta consegue repôr os seus recursos naturais.
Os danos causados pela utilização excessiva dos recursos são cada vez mais evidentes a nível mundial, sobretudo nos países em desenvolvimento: desflorestação, escassez de água doce, erosão do solo, perda de biodiversidade e acumulação de dióxido de carbono na atmosfera. Por sua vez, estes damos acentuam e dão origem a fenómenos climáticos adversos, tais como secas severas, incêndios florestais ou furacões, que por sua vez, contribuem para um aumento de tensões e conflitos, exacerbando as desigualdades a nível mundial. [1]
É urgente repensarmos as nossas acções e os nossos padrões de consumo, de forma a preservar os recursos que o nosso planeta possui, garantindo um futuro para as próximas gerações.
Este Eco Desafio não tem como objectivo que todas as pessoas consigam implementar todos os hábitos apresentados. Não estamos aqui para julgar, mas sim para celebrar todas as pequenas conquistas e ajudar, através da partilha de experiências, a ultrapassar dificuldades que surjam.
Cada pequeno gesto conta! Se fizeres apenas uma pequena mudança para reduzir o teu impacto, estás no caminho certo.
“We don’t need a handful of people doing zero waste perfectly. We need millions of people doing it imperfectly.”
(Nós não precisamos de um pequeno grupo de pessoas a praticar zero waste de forma perfeita. Nós precisamos de milhões a fazê-lo de forma imperfeita.)
Anne-Marie Bonneau, Zero Waste Chef (https://zerowastechef.com/)
Destralhar
dar/trocar/vender
Destralhar: menos é mais!
Para começar o nosso Eco Desafio, nada faria mais sentido para mim do que destralhar.
Destralhar é um óptimo ponto de partida para uma vida com menos impacto.
Destralhar ajuda-nos a perceber aquilo que já temos e a ganhar uma maior noção daquilo que realmente podemos vir a necessitar.
Ao longo da nossa vida compramos e compramos coisas, compulsivamente, que vamos acumulando e que não nos trazem felicidade.
Antes pelo contrário, fazem-nos sentir muitas vezes perdidos e assoberbados porque não conseguimos ter organização na nossa casa, acabando por passar imenso tempo a limpar e a arrumar as nossas coisas, muitas vezes sem grande sucesso.
E comprando ainda mais coisas para organizar as coisas que já temos.

Porque é que compramos compulsivamente?
Vivemos numa sociedade de consumo e somos constantemente bombardeados com anúncios (muitos dos quais nem nos apercebemos), que estimulam a nossa vontade e sensação de necessidade de consumir. O ritmo acelerado a que vivemos não nos permite reflectir sobre muitas das nossas acções. O acesso aos bens de consumo é tão fácil que nem pensamos sobre o que foi necessário para chegarem até nós e qual o seu real impacto.
Somos levados a acreditar que para sermos felizes e para simplificarmos a nossa vida precisamos de comprar mais coisas que nos estão a fazer falta.
Acabamos por obter exactamente o oposto: uma casa cheia de tralha e uma enorme falta de tempo para nos dedicarmos a nós mesmos e àquilo que realmente importa.
O facto de termos demasiadas coisas, leva-nos a comprar aquilo de que não necessitamos, por vezes até coisas que já temos ou que cumprem a mesma função.
Muitas vezes perdemos imenso tempo à procura daquilo que necessitamos, no meio da nossa tralha. Não seria muito mais simples analisar o que temos e reduzir-nos ao que realmente nos faz falta?
Há ainda a questão financeira: gastamos imenso dinheiro a comprar constantemente coisas “baratas” que, na prática, acabam por ter muito pouco uso e saem muito caras ao planeta.
Destralhar e viver com o essencial
Quando vivemos apenas com aquilo que nos é essencial, ganhamos tempo, espaço, simplificamos a nossa vida e fazemos escolhas mais conscientes, fruto de reflexão e não de uma compra por impulso.
Esta capacidade de reflexão permite-nos seleccionar bens de qualidade, ainda que mais caros, que nos serão muito úteis e durante muito tempo, acabando por nos permitir poupar imenso dinheiro. E claro, o nosso impacto ambiental será muito mais reduzido, pois vamos produzir muito menos resíduos.
Então, o que fazemos ao que já temos em casa?
O mais sustentável é aquilo que já existe.
Não vamos deitar tudo fora para substituir por alternativas “mais sustentáveis” que basicamente nos obrigam a continuar a consumir em excesso e a perder o nosso precioso tempo.
Devemos sim analisar aquilo que temos, em cada divisão da nossa casa, e perceber o que é que realmente é usado com frequência e o que é que é importante para cada um de nós.
O que não nos faz falta, o que raramente é usado e o que já não nos diz nada, pode sair das nossas vidas.
Destralhar é uma tarefa que pode levar algum tempo, passámos anos e anos a acumular tralhas, sendo praticamente impossível destralhar uma casa em poucos dias. Mas depois de começarmos, e pensando nos benefícios imediatos que o destralhe nos traz, torna-se mais fácil disponibilizar o nosso tempo para o fazer.
Também é importante perceber porque é que deixámos de usar determinados bens.
Por exemplo, é algo de que já não gostamos?
Está avariado ou danificado?
Se deixámos de usar porque está avariado ou danificado mas é algo importante para nós, devemos procurar uma solução para reparar e assim poder voltar a usar.

Como nos desfazemos da nossa tralha de forma sustentável?
Existem diversas formas sustentáveis de nos desfazermos da nossa tralha.
Dar ou doar
A amigos e amigas, a familiares, a associações, a bibliotecas, etc.
Tudo depende do tipo de produtos que temos em excesso.
Trocar
Em mercados de trocas (Swap Markets) ou simplesmente, entre familiares e amigos.
Vender
É frequente termos artigos em óptimo estado que não nos fazem falta nenhuma.
Podemos aproveitar esta oportunidade para reavermos algum do valor gasto.

Exemplos prácticos
De que forma ou em que locais podemos dar, trocar ou vender a nossa tralha.
Dar ou trocar
Convida amigas e/ou amigos a tua casa e façam uma sessão de troca de roupas.
Também podes simplesmente dizer-lhes para levarem o que lhes faz falta!
Vender
Podes vender Online, no OLX ou nas redes sociais, todo o tipo de artigos. Na MyCloma ou na Vinted, podes vender as tuas roupas (desde que se encontrem em bom estado, claro). Também podes vender as tuas roupas em mercados de segunda mão ou em lojas de roupa em segunda mão.
Nas lojas Kid to Kid podes vender roupas, acessórios e brinquedos de bebés, crianças e até de grávida.
Doar
No caso dos livros, podes dar a quem saibas que vai apreciar, doá-los à biblioteca municipal ou até a uma escola, por exemplo, dependendo do tipo de livro. Se gostas muito de ler, podes também fazer trocas de livros com outras pessoas ou até online, por exemplo através da plataforma Livrar.
Emprestar
Se achamos que ainda nos pode vir a ser útil, mas não nos faz falta de momento, porque não emprestar? Se tens roupas, acessórios e brinquedos de bebé ou de criança e uma amiga grávida a quem as tuas coisas possam dar jeito, empresta-lhe o que necessitar.
No caso da roupa, podes pedir-lhe para marcar, no interior, com uma caneta que escreva em tecido ou dar um pontinho com uma linha de uma determinda cor, para que saiba quem emprestou o quê.

E se já não estiver em bom estado?
Se já não está em bom estado e não tiver reparação, podemos ver se este artigo nos pode ser útil para outro fim. Por exemplo, roupas ou lençóis velhos podem ser utilizadas para fazer panos para a limpeza do lar, toalhitas ou sacos reutilizáveis para as compras.
Se realmente não nos faz falta e não está em boas condições para que outra pessoa o possa utilizar, devemos então descartar.
O descarte deve ser feito de forma adequada, para não causar maior impacto ambiental.
Devemos colocar cada artigo num ponto de recolha adequado: existem pontos de recolha específicos para equipamentos electrónicos, lâmpadas, pequenos electrodomésticos, monos, roupas, medicamentos, radiografias, rolhas de cortiça, etc.
Se não sabes que destino dar ao que necessitas de descartar, podes usar a Waste App, uma plataforma desenvolvida pela Quercus com o objectivo de informar o cidadão dos destinos de vários resíduos que não podem ser colocados nos ecopontos. Através desta plataforma poderás saber qual o local mais próximo de ti para colocar os resíduos para reutilização e reciclagem.
E no caso de bens consumíveis?
O nosso objectivo é gerar o mínimo de desperdício. Por isso, tudo o que sejam alimentos, cosméticos, especiarias, produtos de limpeza do lar e outras coisas que após a análise nos apercebemos que temos em excesso, devemos utilizar até o fim. Não faz sentido deitar fora enquanto ainda pode ser útil, uma vez que já os adquirimos.
No caso de alguns produtos, pode demorar mais tempo do que gostaríamos até os acabarmos, agora que estamos cheios de vontade de ter uma vida mais simples e com menos tralha. Podes sempre ver se conheces alguém que os queira!

Não voltar a acumular
Depois de destralhar é fundamental não cairmos no erro de voltar a acumular.
É essencial reflectirmos bem antes de comprarmos, evitando comprar coisas desnecessárias e que têm um custo ambiental (e muitas vezes social) tão elevado.
Viver uma vida mais simples e com menos coisas irá proporcionar-nos uma maior leveza e até uma maior sensação de liberdade.
Já alguma vez destralhaste? Que dificuldades sentiste? Como te sentiste quando terminaste?
Partilha a tua experiência de destralhe, tira fotos e publica nas redes sociais com a hashtag #EcoDesafio2022 para inspirar outras pessoas!















































































Julho: Aromaterapia e Consumo Consciente
Junho: Sustentabilidade e Bem-Estar
Maio: Mercado Circular e Saboaria