Emergência Climática
As alterações climáticas e a ameaça existencial à civilização
Os cientístas têm vindo a alertar-nos para os efeitos irreversíveis que o aquecimento global pode provocar no nosso planeta e para a ameaça que estes representam para a vida na Terra.
Dizem-nos que estamos numa situação de emergência climática planetária e alertam para as evidências de que estão a ocorrer alterações irreversíveis nos sistemas climáticos da Terra podendo chegar a um ponto de colapso, com um aumento da temperatura global de 5ºC, com uma subida do nível do mar a rondar os 6 e os 9 metros, juntamente com a perda completa dos recifes de coral de todo o mundo e da floresta Amazónica – deixando áreas enormes do planeta inabitáveis.[1]É urgente agir para impedir que estas mudanças desastrosas e irreversíveis nos sistemas climáticos da Terra ocorram. E todos nós temos um papel a cumprir, a acção governamental por si só não será suficiente para atingir os objectivos de parar o aumento da temperatura global.
Neutralidade carbónica para limitar o aquecimento global e as alterações climáticas
Ecologia e sustentabilidade são dois dos principais valores da Miristica, pelo que procuramos reduzir ao máximo o impacto ambiental da nossa actividade como empresa e dos cosméticos que produzimos. Um dos nossos objectivos é deixar uma pegada positiva no mundo e lutar pela manutenção da vida na Terra, dos seus recursos e da sua biodiversidade.
Quantificar, reduzir e compensar todas as emissões de gases com efeito de estufa na Miristica é um passo importantíssimo a dar para alcançar os nossos objectivos e contribuir para um futuro melhor para todos nós e para as próximas gerações.
Desta forma, obtivemos recentemente a Certificação Carbono Zero, alcançando a neutralidade carbónica na Miristica.
Mas afinal, o que é a neutralidade carbónica, qual a sua importância e como fazemos para a alcançar?
Neste artigo, abordamos diversos conceitos ligados à sustentabilidade (Efeito de Estufa, Aquecimento Global, Alterações Climáticas, Dióxido de Carbono Equivalente e outros) e explicamos a importância que a neutralidade carbónica tem para limitar o aquecimento global e as alterações climáticas.
Efeito de Estufa e Aquecimento Global
O que são GEE?
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) define “gases com efeito de estufa” (GEE) como aqueles gases, naturais e antropogénicos, constituintes da atmosfera, que absorvem radiação infravermelha, focando-se primordialmente nos seguintes gases:

O dióxido de carbono
CO2

O metano
CH4

O óxido nitroso
N2O
Alguns químicos sintéticos

O hexafluoreto de enxofre
SF6

Os hidrocarbonetos perfluoretos
PFCs

Os hidrofluorocarbonetos
HFCs
O vapor de água, juntamente com o CO2, atuam como termorreguladores na atmosfera terrestre.
Esses gases são encontrados em concentrações diferentes na atmosfera e possuem distintos potenciais para aquecer a terra.
Apesar de em proporções absolutas o vapor de água e o CO2 serem os mais efetivos, por existirem em maiores quantidades, o seu potencial de aquecimento é muito distinto. Como vamos ver, existem gases que conservam o calor de forma mais eficaz que outros.
Grande parte da absorção da radiação terrestre acontece próximo à superfície, isto é, nas partes inferiores da atmosfera, onde ela é mais densa.

A importância do Efeito de Estufa
O Efeito de Estufa possibilita a vida humana e de outras espécies no nosso planeta.
Este efeito depende da concentração de um conjunto de gases que ocorrem, na sua maioria, de forma natural: o vapor de água, o dióxido de carbono e o metano, os quais não são poluentes clássicos, entendidos como substâncias que não ocorreriam na natureza sem a presença humana.
Esses gases absorvem a energia e o calor do Sol que são irradiados pela superfície da Terra e conservam-nos na atmosfera, evitando que escapem para o espaço. Sem a presença desses gases na atmosfera o planeta seria incapaz de absorver e reter a energia e o calor do Sol, portanto o planeta Terra não possuiria as condições climáticas atuais que garantem a permanência das espécies no planeta, seria apenas mais um planeta gelado e inóspito.
O Efeito de Estufa ampliado por actividades humanas
A partir da Revolução Industrial, no século XIX, alguns gases do efeito estufa (GEE), com destaque para o dióxido de carbono (CO2), passaram a ser emitidos em quantidades cada vez maiores pelas atividades antrópicas.
A maior emissão desses gases é decorrente da queima de combustíveis fósseis pelas indústrias, meios de transporte, máquinas, pelas mudanças no uso da terra na agricultura e pela desflorestação e queima de biomassa vegetal.
Efeito de Estufa e Alterações Climáticas
Com a emissão exagerada de GEE, investigadores e cientistas de todo o mundo começaram a constatar a influência do excesso de GEE na temperatura climática global: o excesso de GEE aumenta o efeito de estufa, contribuindo para o aquecimento global e para as alterações climáticas.
Aquecimento Global vs Alterações Climáticas
A expressão “aquecimento global” refere-se à tendência de aumento da temperatura desde o início do século XX, sobretudo a partir dos anos 70, tendência essa que se deve em grande medida ao crescimento das emissões derivadas da queima de combustíveis fósseis (petróleo e derivados, gás natural, carvão).
As alterações climáticas são um conjunto muito vasto de fenómenos globais gerados pela emissão derivada da queima de combustíveis fósseis. Essas alterações climáticas incluem obviamente o aquecimento global descrito, mas incluem muitos outros fenómenos, como o aumento do nível médio dos mares, a perda de gelo nos calotes polares e nos glaciares de todo o mundo, as alterações nos ciclos das plantas e os fenómenos climáticos extremos.[2]

GEE, PAG e CO2e
Como vimos, são vários os gases que provocam o efeito de estufa. No entanto, os gases não têm todos o mesmo impacto.
O efeito de uma determinada emissão de GEE depende da sua capacidade de absorver energia (a sua “eficiência radiativa”) e da sua permanência na atmosfera: um gás muito potente mas que seja rapidamente absorvido por processos naturais será menos importante que outro menos potente em termos de afetação do clima, mas que permanecesse muitos mais anos.
É necessário percebermos qual é a contribuição relativa dos diferentes GEE para o aquecimento global para o conseguirmos combater.
Para tal, necessitamos de encontrar uma forma de os tornar equivalentes, por outras palavras, colocá-los na mesma unidade de medida, para os podermos somar e comparar o seu efeito sobre o aquecimento global.
Desta forma, a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas adoptou como métrica o Potencial de Aquecimento Global (PAG) a 100 anos, que se tornou a referência internacional.
O PAG é uma medida da energia que será absorvida por 1 tonelada de um gás, em relação à emissão de 1 tonelada de dióxido de carbono (CO2).
O PAG permite-nos dizer que a emissão de 1 tonelada de metano (CH4) equivale, para efeitos do impacto sobre o aquecimento global, à emissão de 28 toneladas de CO2, ou seja o PAG do metano é 28.
Potencial de Aquecimento Global, segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas:
Potencial
de
Aquecimento
Global
sobre Alterações Climáticas
Dióxido de Carbono
CO2Metano
CH4Óxido Nitroso
N2OHFC-23
CHF3Outros HFCs
-Hexaluoreto de Enxofre
SF6PFCs
-Fonte: 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC)
Para simplificar a compreensão e possibilitar a comparabilidade, apresentam-se os resultados da soma do impacto dos diferentes gases em Dióxido de Carbono Equivalente (CO2e), utilizando os valores PAG atribuídos a cada gás. Por exemplo, se estivermos a emitir 10 toneladas de CO2 + 2 toneladas de CH4 + 1 tonelada de N2O, faríamos o cálculo da seguinte forma:
10 ton CO2
+ 2 ton CH4 (equivalente a 28x2=56 ton de CO2)
+ 1 ton N2O (equivalente a 265x1=265 ton de CO2)=10+56+265=331 Toneladas de CO2e
Qual a contribuição dos diferentes gases para o Aquecimento Global
Munidos do PAG dos diferentes gases, é possível determinar, sabendo as emissões globais de cada um, a contribuição relativa para o aquecimento global.

Emissões de gases com efeito de estufa na UE e no mundo
Emissões mundiais por poluente* em 2017

O dióxido de carbono é de longe o gás com efeito de estufa mais emitido, com 81% das emissões ponderadas pelo seu efeito sobre o aquecimento global. Em segundo lugar vem o metano, com cerca de 11% e em terceiro o óxido nitroso com 5%. Os outros gases com efeito de estufa, apesar de emitidos em menores quantidades, conservam, contudo, o calor de forma mais eficaz que o CO2, sendo em alguns casos, milhares de vezes mais fortes.
Neutralidade Carbónica
Reduzir e compensar as emissões de GEE
Para limitar o aquecimento global em 1,5ºC, o limite considerado seguro pelo Painel Intergovernamental sobre as alterações climáticas, é essencial atingir a neutralidade em termos de carbono até 2050. Este objectivo está também definido no Acordo de Paris, assinado por 195 países.[3]Neste momento já atingimos 1,1ºC de aquecimento global, pelo que estamos a aproximar-nos rapidamente do limite, podendo atingir 1,5ºC em 2030.[4]
Uma tonelada de carbono tem o mesmo efeito no clima qualquer que seja o ponto do planeta em que é emitida. Da mesma forma, uma tonelada emitida num dado local pode ser compensada através de uma tonelada sequestrada ou reduzida noutro local onde quer que ele esteja. Descarbonizar ou atingir a neutralidade carbónica significa procurar um equilíbrio para anular os efeitos negativos sobre o clima.[5]
A neutralidade carbónica é uma ação climática que pode ser posta em prática por indivíduos e organizações, através da compensação das emissões que não podem evitar, apoiando projetos valiosos que reduzem as emissões noutros locais.
No seguimento do Acordo de Paris, Portugal comprometeu-se em atingir a neutralidade carbónica, o que implica a redução de emissões de gases com efeito de estufa entre 85% e 90% até 2050 e a compensação das restantes emissões através do uso do solo e florestas, a alcançar através de uma trajetória de redução de emissões entre 45% e 55% até 2030, e entre 65% e 75% até 2040, em relação a 2005.[6]
Como é feita a compensação das emissões
As emissões de gases com efeito de estufa, expressas em dióxido de carbono equivalente (CO2e), associadas às actividades das empresas ou de um determinado indivíduo são quantificadas.
Essa quantificação das emissões é um passo fundamental, pois permite monitorizar os impactos, mitigar os seus efeitos e prevenir, reduzindo as emissões.
Após quantificação, é feita a compensação das emissões não evitáveis através do apoio financeiro a projectos que promovam a captura de quantidades equivalentes de GEE. Assim, a compensação funciona como um financiamento para acções climáticas, apoiando projectos valiosos que reduzem as emissões de carbono, contribuindo financeiramente para estes projectos de forma directa, o que lhes permite assim continuar a reduzir as emissões.[7]
Certificação Carbono Zero
Queremos tornar a nossa empresa e os nossos produtos cada vez mais sustentáveis e reduzir ao máximo a nossa pegada de carbono.
Assim, decidimos fazer proactivamente a Certificação Carbono Zero, quantificando, reduzindo e compensando as emissões de GEE resultantes da nossa actividade, tornando a Miristica numa empresa neutra em carbono.
O Carbono Zero é uma marca de referência no cálculo e compensação de emissões de carbono, sendo disponibilizada pela empresa de consultoria ambiental Ponto Verde Serviços, que permite fazer o sequestro das emissões através de créditos de carbono com origem na floresta nacional ou em standards de referência internacionais (a empresa a certificar escolhe qual destas opções prefere utilizar para compensar as suas emissões).
O cálculo das emissões de CO2e é feito segundo metodologias próprias da marca Carbono Zero, baseados nos mais rigorosos standards internacionais que estabelecem os âmbitos de actuação, directa e indirecta, por áreas de actividade. A experiência da marca Carbono Zero no mercado, confere-lhe um estatuto único e fórmulas derivadas da sua longa participação neste mercado.
Desde a sua origem, o Carbono Zero tem privilegiado o apoio a projectos florestais em Portugal, apesar de actuar igualmente no mercado acreditado de créditos internacional. As florestas captam dióxido de carbono (o principal dos 6 gases com efeito de estufa identificados no Greenhouse Gas Protocole) através do processo de fotossíntese. São um importante reservatório de carbono, reduzindo assim as concentrações de CO2 na atmosfera e contribuindo no equilíbrio da circulação dos gases de efeito de estufa, com consequências para as alterações climáticas.
Iniciámos o processo de certificação em Agosto de 2020.
Neutralidade Carbónica na Miristica
Todas as emissões anuais de gases com efeito de estufa associadas à nossa actividade foram quantificadas (consumo de electricidade, resíduos gerados, deslocações, transporte de matérias-primas e distribuição dos produtos) e foi-nos entregue um relatório com os resultados decorrentes desta análise e quantificação.
Após quantificação das emissões, a compensação ocorre em áreas de floresta nacional e segue critérios como:
Mais de 80% de espécies indígenas ou naturalizadas
Não apresenta espécies classificadas como invasoras
Possuem um plano específico de monitorização de sequestro de carbono ao longo de todo o período de exploração
Anualmente faremos a renovação desta certificação, fazendo uma nova quantificação das emissões de GEE com os dados mais recentes da nossa actividade, garantindo assim que estamos a compensar efectivamente todas as nossas emissões. A análise e quantificação anual das nossas emissões permite-nos perceber exactamente quais as fontes de emissão mais significativas e como é que poderemos reduzi-las, diminuindo assim a nossa pegada de carbono.
Desta forma, percebemos, por exemplo, que a maioria das nossas emissões ocorre no transporte de matérias-primas e mercadorias até às nossas instalações, algo em que podemos fazer um esforço para optimizar, reduzindo o número de viagens, fazendo assim menos encomendas anuais aos nossos fornecedores mas com maior quantidade em cada encomenda. Por outro lado, temos vindo ao longo dos anos a procurar estabelecer cada vez mais parcerias com produtores nacionais, para reduzir estas emissões (pois a matéria-prima e mercadorias não necessitam de vir de outros países se existir quem produza em Portugal com qualidade igual ou superior), apoiando ainda a economia nacional e o comércio local.
Esta Certificação é mais uma forma de contribuirmos activamente para a preservação do nosso planeta, dos seus recursos e da sua biodiversidade, tornando os nossos produtos e todo o seu processo de produção mais sustentável.
As certificações são, regra geral, dispendiosas e é muito difícil para uma empresa da dimensão da Miristica suportar este tipo de custos, no entanto, estamos empenhados em reduzir ao máximo o nosso impacto e a nossa pegada ecológica. Como tal, sentimos que fazer esta certificação e compensar as nossas emissões de GEE era imprescindível para alcançar os nossos objectivos e estamos muito satisfeitos por o fazer, podendo ainda contribuir para a preservação da floresta nacional.
Acreditamos que cada acção individual é muito importante para o nosso planeta, por mais pequena e insignificante que nos possa parecer.
Qualquer acção que possamos fazer para reduzir o nosso impacto tem o seu devido valor, sobretudo se formos cada vez mais a mudar os nossos hábitos pelo futuro do nosso planeta.
Juntos conseguimos mudar o mundo ♥
Referências
[2] https://descarbonizar2050.apambiente.pt/descarbonizar2050/base-cientifica/
[3] https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/society/20190926STO62270/o-que-e-a-neutralidade-das-emissoes-de-carbono-como-pode-ser-atingida-ate-2050
[4] https://unfccc.int/climate-action/climate-neutral-now#eq-2
[5] http://www.pontoverdeservicos.pt/#carbono_como_funciona
[6] https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/comunicacao/documento?i=roteiro-para-a-neutralidade-carbonica-2050-
[7] https://offset.climateneutralnow.org/aboutoffsetting
















































































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