Analisar
o teu lixo e a tua reciclagem
Analisar os nossos resíduos
Reduzir o desperdício através da monitorização dos resíduos
Analisar aquilo que colocamos no nosso caixote do lixo é uma forma excelente de “conhecermos” os nossos resíduos. Este “exercício de diagnóstico” permite-nos perceber a quantidade de resíduos que geramos e que resíduos poderíamos evitar ou reduzir e, consequentemente, gerar menos desperdício.
Através de uma auditoria ao nosso lixo conseguimos também perceber o quão longe estamos de atingir os nossos objectivos, sendo um óptimo ponto de partida para traçarmos a nossa própria estratégia de redução de desperdício/resíduos.
À medida que vamos adoptando novos hábitos de consumo e de redução do desperdício devemos ir monitorizando a evolução dos resíduos que estamos a produzir. Desta forma, vamos conseguir ter a noção dos efeitos dos nossos esforços e apercebermo-nos rapidamente das nossas conquistas, o que poderá ser extremamente motivador.
Analisar aquilo que separamos para reciclar também é importante pois permite-nos perceber a quantidade de embalagens que estamos a descartar e, tal como acontece com os restantes resíduos, traçar uma estratégia para a sua redução.
Produção excessiva de resíduos e a sua deposição em aterros
Como falámos neste artigo não existe “deitar fora”.
Deitar fora apenas retira o lixo do nosso campo de visão e leva-nos a perder a noção da quantidade de resíduos que realmente geramos.
Mas acontece que a produção de resíduos na nossa sociedade é elevadíssima. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, em 2020 cada português produziu em média 1,4Kg de resíduos por dia. E apenas uma pequena parte destes resíduos são valorizados. 64,2% desses resíduos tiveram como destino o aterro. [1]
Caracterização dos resíduos e o seu correcto descarte
Vamos agora analisar a caracterização dos resíduos produzidos em Portugal continental em 2020. [1]

Como podemos observar, quase 40% dos resíduos produzidos são Bioresíduos, ou seja, resíduos biodegradáveis alimentares e de cozinha e resíduos biodegradáveis de jardim.
Os biorresíduos, devido à sua composição, quando depositados em aterro representam vários problemas para a saúde humana e para o ambiente, nomeadamente a produção de metano, que é um gás de efeito estufa várias vezes mais destrutivo para a camada de ozono que o dióxido de carbono, e a produção de lixiviados com elevada carga orgânica. Por outro lado, o elevado potencial energético e de recuperação de nutrientes associado aos resíduos orgânicos, quando submetidos a processos de valorização, não deve ser desperdiçado. [2]
Este tipo de resíduos pode facilmente ser removido do nosso caixote do lixo, aproveitado e valorizado (e consequentemente desviado dos aterros), através da compostagem.
O aproveitamento e valorização dos biorresíduos contribui significativamente para o enriquecimento dos solos através do composto obtido através da sua compostagem e para a produção de energia verde, através do biogás gerado em unidades de digestão anaeróbia. [2]
É verdade que ainda são poucos os pontos de recolha selectiva de resíduos orgânicos em Portugal, mas a compostagem é fácil e é possível, mesmo em espaços pequenos e sem varandas ou quintais. Apenas necessitamos de procurar a forma mais adequada de compostar para nós!
Neste artigo desmistificamos um pouco a compostagem.
Caso não consigas fazer compostagem doméstica, poderás entrar em contacto com a junta de freguesia ou câmara municipal da tua área de residência, para te informares sobre possíveis programas de compostagem ou hortas comunitárias que possam receber os teus resíduos alimentares.
Também é possível doares os teus resíduos alimentares a outras pessoas:
– Através da plataforma ShareWaste: Esta plataforma é perfeita para quem não tem como fazer compostagem doméstica nem tem acesso a compostagem industrial. Nesta é possível encontrar pessoas perto de ti que façam compostagem e a quem podes doar os teus resíduos alimentares.
– Falando directamente com produtores agrícolas em feiras, mercados ou quintas: Procura produtores agrícolas perto de ti e questiona se podem receber os teus resíduos alimentares.
Voltando ao nosso gráfico, podemos ainda constatar que cerca de 29% dos resíduos são Plástico (11,42%), Papel/Cartão (10,06%) e Vidro (7,23%). Estes resíduos podem e devem (regra geral) ser reciclados e valorizados também, isto se não os podermos recusar, reduzir ou reutilizar.
Sobram-nos apenas cerca de 30% de resíduos neste gráfico e mesmo para muitos destes, pode ser possível a sua deposição num ponto de recolha selectiva e não no aterro. Se tens dúvidas sobre onde colocar determinados resíduos, a WasteApp ou o website ondereciclar.pt podem ser recursos úteis.
Isto significa que, apenas pela correcta separação dos resíduos conseguimos evitar que a grande maioria destes acabem a sua vida nos aterros.
Consumo excessivo
É preciso ter em conta que o grande problema que temos em mãos neste momento é o consumo excessivo.
Evitar que os nossos resíduos acabem no aterro não é suficiente.
É necessário produzir menos resíduos, o que significa repensar a forma como consumimos e consumindo responsavelmente.
Isto porque para fabricar novos produtos, mesmo que estes sejam produtos ecológicos, é sempre necessário extrair mais matérias-primas do nosso planeta e consumir imensos recursos, recursos esses que estão a ser consumidos a uma velocidade superior à capacidade que o nosso planeta tem para os renovar.
É necessário consumir energia, água e combustíveis fósseis para que os produtos sejam fabricados e cheguem até nós. E é necessário lidar com os resíduos produzidos, seja durante o fabrico, seja no fim de vida dos produtos.
Este consumo desenfreado está a pôr em causa o futuro do nosso planeta e tem mesmo de acabar.

Benefícios de analisar o nosso lixo
Ao analisar o nosso lixo, ganhamos consciência da quantidade de resíduos que produzimos e do tipo de resíduos que produzimos.
Esta análise e posterior monitorização permite-nos adoptar medidas efectivas de redução do desperdício e procurar formas mais conscientes de consumir aquilo de que necessitamos.
Desta forma, evitamos que uma enorme quantidade de resíduos seja depositada nos aterros, reduzindo assim as emissões de gases com efeito de estufa.

Como analisar os nossos resíduos?
Monitorizar e classificar os resíduos
Observar os resíduos produzidos (ou até fotografá-los) e classificá-los por tipos:
reciclagem (o que pode ser encaminhado para os diferentes ecopontos); orgânico; perigoso; e indiferenciado. [3]
Anotar estes dados e registar quais as fontes (qual a divisão da casa de onde provêm; onde foram adquiridos; qual o tipo de embalagem) e quais as alternativas para reduzir ou eliminar esses mesmos itens (por exemplo: posso fazer em casa? posso comprar usado em vez de novo?). [3]
Antes de despejar o lixo indiferenciado, podes pesar o lixo e registar.
Separar os resíduos recicláveis e investir ou fazer um compostor.
Nas semanas seguintes, separar os resíduos de acordo com o seu destino:
aterro, reciclagem, resíduos compostáveis e, se existirem, resíduos perigosos.
Definir a regularidade com que vais voltar a monitorizar o lixo gerado (semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente).
Ao final do período definido, voltar a analisar os resíduos e, se o desejares, pesar o lixo.
Registar os resultados e comparar com os iniciais. Celebrar quaisquer pequenas melhorias!
Repetir este ciclo com a frequência que for necessária.
Algumas pessoas conseguem reduzir todo o lixo a um frasco de vidro por ano ou menos! [4]

Reduzir os resíduos sem frustrações!
Após conhecermos os nossos resíduos e traçarmos uma estratégia para os reduzir, podem surgir algumas frustrações.
Estas frustrações podem ocorrer porque estamos a ser demasiado exigentes connosco mesmos, porque estamos a tentar mudar demasiados hábitos de um dia para o outro ou porque damos por nós a fazer coisas que tomam demasiado do nosso tempo ou de que até não gostamos e que, na prática, não reduzem assim tanto o desperdício gerado.
Existem diversas razões que podem levar à frustração, mas reduzir o desperdício é fácil e até prazeroso se respeitarmos a nossa vontade/motivação e os nossos limites pessoais.
Vai devagar!
Passar de um caixote do lixo por dia para um por ano pode parecer uma tarefa muito difícil! Mas, na verdade, é muito mais fácil do que se pensa, se nos certificarmos de que não mudamos tudo de uma vez. A menos que estejas extremamente motivado/a, abandonar os teus hábitos de uma só vez não é uma boa estratégia para manter os novos hábitos a longo prazo.
Cada gesto conta!
A redução do desperdício não é uma competição. Aquilo que para algumas pessoas é fácil de mudar ou de abdicar, pode não ser fácil para outras pessoas. Cada um de nós tem a sua própria realidade e o seu próprio ritmo. Cada pequena mudança e cada pequeno novo hábito adquirido é importante. Se todos nós adoptarmos pequenos hábitos mais sustentáveis, o impacto será enorme.
A felicidade está nas pequenas coisas!
Um estilo de vida sem desperdício, quando dividido em ações simples e sucessivas, acaba por ser mero senso comum. Favorece mais a adaptação do que a frustração. Se levares o teu tempo, poderás encontrar novos prazeres que andem de mãos dadas com os novos hábitos que irás adoptar. Por exemplo, algumas pessoas sentem tanto ou mais prazer ao fazer em casa coisas que costumavam comprar, como sentiam ao ir às compras.
Em breve verás o fruto dos teus esforços!
Há uma grande probabilidade de que notes imediatamente a diferença. Muitas pessoas conseguiram reduzir os resíduos gerados em 80% em pouco menos de um ano. [5]

Redução do desperdício
Apesar da redução do desperdício começar fora da nossa casa, dentro desta podemos encontrar ferramentas úteis para percebermos o que pode ser evitado (recusado) ou reduzido.
Analisar é uma óptima forma de nos responsabilizarmos pelo que produzimos, conhecendo os nossos resíduos para sabermos em que consistem e o que podemos fazer para os reduzir.
Após esta análise e esta tomada de consciência sobre os nossos resíduos, recusar coisas que não nos fazem falta e reduzir o nosso consumo será muito mais fácil.
Alguma vez analisaste os teus resíduos? Sentiste que te ajudou a reduzir o desperdício?
Partilha a tua experiência de análise e monitorização de resíduos, tira fotos e publica nas redes sociais com a hashtag #EcoDesafio2022 para inspirar outras pessoas!
Referências
[2] https://www.cvresiduos.pt/pt/comunicacao/2021/05/05/biorresiduos-o-que-sao
[3] Maia, E. (2020). Desafio Zero – Guia prático de redução de desperdício dentro e fora de casa. 1ª edição, Manuscrito.
[4] https://simplendelight.com/what-is-zero-waste/
[5] https://www.zerowastefrance.org/en/taking-action/start-a-zero-waste-lifestyle/















































































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