Os óleos essenciais são uma dádiva da natureza.
São obtidos a partir de inúmeras plantas e podem contribuir activamente para o nosso bem-estar!
Actualmente, a maior parte de nós tem contacto habitual com óleos essenciais.
Na verdade, eles já fazem parte do nosso dia-a-dia.
E há bons motivos para isso. Para além de terem a capacidade de influenciar o nosso humor e as nossas emoções, estudos recentes começam a demonstrar toda a panóplia de propriedades terapêuticas que estes óleos essenciais exibem: desde propriedades anti-inflamatórias a antibacterianas, entre muitas outras.
Isto demonstra o potencial que os óleos essenciais possuem e a relevância que podem vir a ter a nível terapêutico e doméstico!
No entanto, com o uso desenfreado e com as modas do momento, vêm normalmente associados alguns erros.
Os óleos essenciais não são excepção. Por vezes as pessoas caem no erro de pensar que por serem produtos naturais, não existem riscos associados ao seu uso e abuso.
Isto não poderia estar mais longe da verdade.
Todas as substâncias, ou conjuntos de substâncias, apresentam riscos.
Para evitar que estes se materializem, é importante não abdicar do bom senso.
Por isto, achámos por bem dedicar este artigo aos maravilhosos óleos essenciais, aos seus potenciais riscos e aos cuidados que devemos ter aquando do seu uso.
Vamos começar?

O que são óleos essenciais?
Um óleo essencial é a essência volátil extraída de plantas aromáticas.
Estes óleos são altamente concentrados, compostos por diversas substâncias, obtidos a partir da destilação a vapor, hidrodestilação ou processos mecânicos de determinada porção de uma planta. [1]
São também chamados de óleos etéreos ou voláteis, uma vez que evaporam quando são sujeitos a calor. Caracterizam-se por serem solúveis em álcool, óleos e ceras, mas pouco solúveis em água. São hidrofóbicos, maioritariamente líquidos e de coloração amarela pálida, e possuem densidade inferior à da água. [2]
O termo “essencial” refere-se à característica de conter a fragrância característica, ou “essência”, da planta da qual cada óleo deriva.
Um óleo essencial é muito diferente de um óleo vegetal, apesar de por vezes surgir alguma confusão entre estes. Um óleo essencial não é gorduroso e não deve ser aplicado na pele sem diluir previamente.
De que plantas são extraídos?
São extraídos de diversas famílias de plantas, como da Lamiaceae (manjericão, óregão, alfazema), da Abietaceae (pinho), da Myrtaceae (eucalipto, murta), da Cupressaceae (zimbro, cipreste), da Lauraceae (canela, sassafrás), da Rutaceae (limão, lima, laranja doce), da Ericaceae (gualtéria), da Poaceae (erva-príncipe), da Asteraceae (camomila) e da Rosaceae (rosa). [3]

E de que parte destas plantas?
Podem estar armazenados em diferentes partes das plantas, como na raiz, folha, flor ou caule, e em diferentes cavidades como glândulas, vacúolos ou outros.
A localização exacta depende do tipo de planta em questão. [4]
Existem 2 tipos de glândulas secretoras onde os óleos essenciais estão armazenados, as glândulas secretoras externas e as internas.
As glândulas secretoras externas localizam-se na superfície da planta e a secreção é exógena.
As glândulas secretoras internas localizam-se em órgãos internos da planta e a secreção é endógena.
Óleos essenciais na história
Os óleos essenciais são usados há vários séculos para diferentes propósitos e por diferentes culturas, no entanto não se sabe com certeza o que popularizou o seu uso, se esteve relacionado com propósitos domésticos ou medicinais.

O uso destes óleos no antigo Egipto ocorria na formulação de pomadas e cosméticos e data de 4500 AC.
Na medicina tradicional oriental, mais concretamente da India e da China, o primeiro registo do uso de óleos essenciais deu-se entre os anos de 3000 e 2000 AC, e centenas de substâncias provenientes de diversas plantas foram consideradas como eficazes na recuperação e na manutenção da saúde.
Por outro lado, na Grécia antiga, o primeiro uso de óleos essenciais como os de tomilho, cominhos, manjerona, entre outros, foi documentado entre 500 e 400 AC. [5]
Foi na antiga Pérsia que se desenvolveu o método de destilação de plantas medicinais com alambique. Este método foi aperfeiçoado ao longo dos anos e veio facilitar o acesso aos óleos essenciais e a sua propagação pelo mundo. Este continua a ser ainda hoje o método mais utilizado para a sua extracção.
O avanço da química durante o século XX, permitiu a produção de moléculas estáveis, eficazes e de custo reduzido, que vieram lentamente substituir os óleos essenciais e diminuir bastante o seu uso.
Na actualidade
Desde os anos 90 até hoje, que a popularidade dos óleos essenciais tem vindo a aumentar.

Este aumento pode ter várias explicações:
Condições culturais e sociais mais vantajosas que permitem mais tempo de lazer;
A actual consciência ecológica que promove um maior contacto com os produtos naturais;
Maior acessibilidade a diversos tipos de informações na internet que condenam o uso de certos “químicos” no dia a dia;
Condições económicas que favorecem a automedicação;
A desconfiança para com as substâncias sintéticas;
Globalização, que torna possível a produção de óleos essenciais em países onde a mão de obra é mais barata. [3]
Qual a sua composição química?
Os óleos essenciais são misturas complexas de mais de 200 componentes em número e concentrações variáveis, localizados no citoplasma das plantas. [6]
A composição dos óleos essenciais varia entre espécies e órgãos das plantas e conforme a estação do ano.
Três ou quatro destes compostos principais constituem mais de 60% da composição do óleo essencial e são responsáveis pelas propriedades biológicas do mesmo. [7]
Os restantes compostos estão presentes em quantidades vestigiais. [8]

Alguns dos grupos de substâncias que compõem estes óleos são:
Terpenos
Possuem propriedades analgésicas, expectorantes e antibacterianas;
Álcoois
Possuem propriedades anti-virais, anti-sépticas, germicidas e anti-bacterianas;
Ésteres
Fornecem um efeito calmante e equilibrado aos óleos essenciais. Garantem ainda a presença de propriedades anti-inflamatórias e sedativas. (6) Possuem um cheiro doce e, portanto, conferem um cheiro agradável ao produto do qual fazem parte. O éster salicilato de metilo pode ser tóxico para o organismo; (2)
Óxidos
Este grupo de compostos é caracterizado por possuírem um odor extremamente forte e por serem estimulantes do sistema nervoso e expectorantes;
Aldeídos
Possuem um odor doce e frutificado e propriedades terapêuticas como antipiréticas, antimicrobianas, antivirais, vasodilatadoras, calmantes e hipotensivas. Além disso, podem provocar irritações da pele e da membrana das mucosas;
Fenóis
São dos compostos mais tóxicos, reactivos e irritantes para as mucosas e pele encontrados nos óleos essenciais. No entanto, reduzem o colesterol, estimulam o sistema nervoso e imunitário e são antimicrobianos;
Lactonas
São compostos sedativos, antipiréticos e hipotensores, mas que podem causar reacções alérgicas ao nível tópico. (2)
Regras básicas
A presença destes grupos de substâncias nos óleos essenciais permites-lhe ter não só as propriedades que tanto nos fascinam como também o risco de toxicidade ou de ocorrência de efeitos adversos.
Desta forma, é importante nunca nos esquecermos de algumas regras básicas no manuseamento, aplicação e armazenamento destes óleos.

Como manusear, aplicar e armazenar:
O seu uso deve restringir-se ao nível tópico ou à inalação (difusor ou outro método)
Isto porque os óleos essenciais são tão concentrados que, se ingeridos, existe o risco de causarem dano ou irritação na sensível membrana da mucosa do estômago, independentemente da sua marca ou proveniência.
Diluir sempre antes da aplicação tópica.
Para evitar a possível ocorrência de alguns dos efeitos adversos que vamos referir no ponto seguinte do artigo, como a dermatite por contacto, os óleos essenciais devem ser sempre aplicados na sua forma diluída.
Armazenar em recipientes escuros ou opacos.
Devem estar armazenados em recipientes bem fechados, de vidro âmbar ou em invólucros de alumínio.
Garantir que a tampa está sempre bem fechada.
Os óleos essenciais são compostos voláteis, pelo que há uma rápida evaporação caso as suas embalagens não sejam devidamente fechadas.
Armazenar ao abrigo da luz e do calor.
Armazenar num local escuro, seco e à temperatura ambiente. Evitar a exposição à luz solar e calor.
Manter fora do alcance das crianças e animais de estimação.
Para evitar a sua ingestão ou contacto com a pele de forma acidental.
Lavar as mãos antes e depois de manusear.
Lavar bem as mãos antes e depois do seu uso.
Evitar o contacto com os olhos.
Caso isto aconteça, lavar abundantemente com água e procurar assistência médica.
Não aplicar em zonas sensíveis.
Não aplicar nos olhos, mucosas, ouvidos ou na região genital.
Em caso de ingestão, contactar o Centro de Informação Antivenenos.
Indicar qual o óleo ingerido para que possam ser tomados os procedimentos adequados.
Fazer um teste de sensibilidade.
Em casos de sensibilidade ou reacções alérgicas prévias a fragrâncias, deve-se sempre fazer um teste numa pequena porção da pele antes do uso em áreas mais extensas.
Evitar o contacto com materiais como o plástico ou a borracha.
Os óleos essenciais são inflamáveis e corroem este tipo de materiais.
Utilizar óleos essenciais 100% puros e de preferência biológicos.
Com a popularização do seu uso, é vulgar encontrar à venda óleos essenciais de fraca qualidade, extraídos com solventes e/ou misturados com outras substâncias para os tornar mais baratos.
Reacções Adversas
Os óleos essenciais podem causar algumas reacções adversas.

Entre estas estão incluídas:
Envenenamento
Todos os casos de envenenamento devem-se à ingestão de óleos essenciais não diluídos, em doses muitos superiores à dose terapêutica. Muitos dos casos registados, ocorreram em crianças entre 1 e 3 anos que, pela sua curiosidade natural e motivados por terem os frascos ao seu alcance, ingeriram os óleos essenciais não diluídos. Assim, é crucial todos os óleos essenciais estarem longe do alcance das crianças;
Fototoxicidade
Em todos os óleos essenciais que aumentam a sensibilidade à luz, os derivados dos citrinos são os mais comumente usados.
Os óleos essenciais de bergamota, limão e lima são os que registam maior número de casos de fototoxicidade.
Dermatite por contacto
O uso tópico de um óleo essencial não diluído aumenta bastante o risco de dermatite por contacto.
Alguns casos desta reacção adversa foram registados para os óleos essenciais de tee-trea, jasmim e ylang-ylang.
Reacções adversas orais
Estas podem ocorrer por aplicação de produto na boca ou lábios, seja em batom, pasta de dentes, elixir bucal, entre outros.
As reacções mais comuns são a inflamação da membrana da mucosa oral e a inflamação dos lábios.
Cuidados a ter em conta
É importante ter alguns pontos em conta quando vamos usar um óleo essencial, de forma a garantirmos que estamos a tirar o máximo partido do produto sem corrermos nenhum risco.

Assim, deixamos-te aqui alguma informação útil para analisares na próxima vez que usares um óleo essencial:
Informação de segurança
Verificar sempre qual a informação de segurança a ter em conta antes de usar um óleo essencial, especialmente os níveis de toxicidade, a fototoxicidade, a irritação dérmica e a sensibilização;
Contra-indicações
Tomar nota das contra-indicações do óleo essencial antes de o usar.
Por exemplo, o óleo essencial de sálvia deve ser evitado por epilépticos.
Hipertensão arterial
Evitar os seguintes óleos essenciais: alecrim, sálvia (todos os tipos), tomilho e hissopo.
Gravidez
É aconselhado recorrer-se o mínimo possível aos óleos essenciais. Durante o primeiro trimestre da gravidez este uso deve ser evitado.
Durante o restante período de gestação, usar metade da quantidade indicada para cada óleo essencial. Evitar todos aqueles cujo uso é desaconselhado durante a gravidez.
Amamentação
Confirmar sempre quais os óleos essenciais não recomendados durante este período.
Homeopatia
Um tratamento de homeopatia não é compatível com os óleos essenciais de cânfora, pimenta preta, eucalipto e hortelã-pimenta.
Bebés e crianças
- Bebés (0-12 meses): usar 1 gota de óleo essencial de alfazema, rosa ou camomila diluída em 1 colher de chá de um óleo vegetal.
- Criança (1-5 anos): usar 2-3 gotas de óleos essenciais seguros (não tóxicos e não irritantes para a pele), diluídos em 1 colher de chá de um óleo vegetal.
- Criança (6-12 anos): usar metade da quantidade de um adulto.
- Adolescentes (mais de 12 anos): usar da mesma forma que um adulto.
Cheatsheet
Tens dúvidas se podes usar em segurança os óleos essenciais que tens em casa?
Deixamos-te aqui uma cábula com algumas contra-indicações de óleos essenciais usados com frequência 😊

Por favor, confirma sempre primeiro os cuidados a ter antes do uso de cada óleo essencial em diversas fontes.
Esta cábula não está detalhada, podem existir mais contra-indicações não referidas.
Confere abaixo:
Óleo essencial de Óregãos (Origanum vulgare)
Contra-indicado na gravidez e amamentação.
Óleo essencial de Hortelã-pimenta (Mentha x piperita L.)
Contra-indicado em casos de fibrilação auricular. Não aplicar na cara de bebés e crianças ou perto da mesma.
Óleo essencial de Limão (Citrus limonum)
Não é tóxico. Pode causar irritação dérmica ou reacções de sensibilização em alguns indivíduos – aplicar em moderação.
Fototóxico em pele exposta directamente à luz solar.
Óleo essencial de Erva-príncipe (Cymbopogon citratus)
Não tóxico. Possível reacção dérmica em alguns indivíduos – usar com cuidado.
Óleo essencial de Alecrim (Rosmarinus officinalis)
Não tóxico, não irritante e não sensibilizante. Evitar durante a gravidez. Não deve ser usado por epilépticos.
Óleo essencial de Eucalipto (Eucalyptus globulus)
Evitar o seu uso em idoso e pessoas em convalescença. Evitar na gravidez e amamentação.
Óleo essencial de Sálvia (Salvia officinalis)
Usar com cuidado e evitar o uso prolongado. Não usar em caso de epilepsia e hipertensão arterial. Evitar durante a gravidez e a amamentação.
Óleo essencial de Pinho (Pinus sylvestris)
Pode causar irritação ou sensibilidade em peles com tendência a reacções alérgicas. Evitar em pessoas com problemas respiratórios.
Óleos essenciais que devem ser evitados
Existem alguns óleos essenciais cujo uso não é recomendado por pessoas não especialistas nestes produtos ou cuja utilização deve ser feita apenas com aconselhamento profissional.

Nesta lista incluem-se os seguintes óleos essenciais:
Cânfora
(Cinnamomum camphora)
Funcho
(Foeniculum vulgare)
Mostarda
(Brassica nigra)
Sassafrás
(Sassafras albidum)
Atanásia
(Tanacetum vulgare) [9][10][11]
Os óleos essenciais são extremamente poderosos. Para usufruirmos de todos os seus benefícios, devemos utilizá-los de forma cuidadosa, garantindo assim que não corremos riscos desnecessários.
Esperamos que este guia te seja útil e te ajude a fazer uma utilização segura dos óleos essenciais, seja através de aromaterapia ou da sua aplicação tópica, tirando assim o máximo proveito dos seus benefícios.
Referências
[2] Jilani A, Dicko A. The Therapeutic Benefits of Essential Oils. Em: Nutrition, well-being and health. 2012.
[3] Vigan M. Essential oils: renewal of interest and toxicity. Eur J Dermatol EJD. Dezembro de 2010;20(6):685 – 92.
[4] Valderrama F, Ruiz F. An optimal control approach to steam distillation of essential oils from aromatic plants. Comput Chem Eng. 2 de Setembro de 2018;117:25 – 31.
[5] Elshafie HS, Camele I. An Overview of the Biological Effects of Some Mediterranean Essential Oils on Human Health. BioMed Res Int. 2017;2017:9268468.
[6] Aziz ZAA, Ahmad A, Setapar SHM, Karakucuk A, Azim MM, Lokhat D, et al. Essential Oils: Extraction Techniques, Pharmaceutical And Therapeutic Potential – A Review. Curr Drug Metab.2018;19(13):1100 – 10.
[7] D’agostino M, Tesse N, Frippiat JP, Machouart M, Debourgogne A. Essential Oils and Their Natural Active Compounds Presenting Antifungal Properties. Molecules [Internet]. 15 de Outubro de 2019 [citado 1 de Novembro de 2020];24(20). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6832927/
[8] Bhavaniramya S, Vishnupriya S, Al-Aboody MS, Vijayakumar R, Baskaran D. Role of essential oils in food safety: Antimicrobial and antioxidant applications. Grain Oil Sci Technol. 1 de Junho de 2019;2(2):49 – 55.
[9] Worwood V A. (2016). The complete book of essential oils and aromatherapy. New World Library.
[10] Lawless J. (2014). The encyclopedia of essential oils: the complete guide to the use of aromatic oils in aromatherapy, herbalism, health and well-being. HarperThorsons. London.
[11] Tisserand R. (2014). Essential oil safety: a guide for health care professionals. Churchill Livingstone.

















































































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